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CUIDAR PARA PRESERVAR

As nossas vinhas mais antigas têm mais de cem anos. Não são apenas a origem dos nossos melhores vinhos; são testemunhos vivos de um Douro que existia antes de nós, e que queremos que continue a existir depois. Cuidar para Preservar é o nome que damos ao conjunto de compromissos que guiam o nosso trabalho na vinha, no solo, na paisagem e na comunidade.

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A Nossa Abordagem – Viticultura Regenerativa

A nossa abordagem à vinha assenta na viticultura regenerativa; uma forma de cultivar que devolve ao solo mais do que aquilo que retira, que trabalha com os ciclos naturais em vez de os contrariar, e que trata a terra como um organismo vivo a cuidar, não como um recurso a explorar.

Coberto vegetal

A manutenção de coberto vegetal entre as videiras é uma das nossas práticas centrais. Dependendo dos objectivos de cada parcela, trabalhamos com cobertos naturais ou semeados: leguminosas para aumentar a fertilidade do solo; crucíferas de raízes vigorosas para descompactar; gramíneas para controlar o vigor quando necessário.

Qualquer coberto cumpre sempre duas funções transversais: controlo de infestantes por competição e combate à erosão. Os benefícios no solo são físicos, pois melhora a estrutura, a permeabilidade à água e ao ar, e aumenta as reservas hídricas, químicos, ao favorecer a formação do complexo de troca, e biológicos, pois estimula a microbiologia do solo e todos os seus benefícios em cadeia.

Intervenção Mínima no Solo

Limitamos ao máximo as intervenções no solo. Quando é necessário incorporar correctivos — calcário ou matéria orgânica — fazemo-lo com arado de tracção animal, com cavalos, tal como se praticava na agricultura tradicional do Douro. É uma escolha consciente: a tracção animal minimiza a compactação e respeita a estrutura do solo que trabalhámos para construir.

Biodiversidade

Para além do coberto vegetal — que é por si só um promotor do desenvolvimento de insectos —, criamos corredores de biodiversidade que servem de habitat para insectos e vida selvagem. Um ecossistema equilibrado ajuda-nos a controlar naturalmente as pragas, reduzindo a dependência de tratamentos. É menos intervenção, não mais.

Estimulantes Naturais

Aplicamos estimulantes naturais de origem vegetal e em algas, com vários objectivos: aumentar a resistência a eventos meteorológicos adversos e estimular a produção, pela própria videira, de xilema e floema, melhorando o vigor e o equilíbrio das plantas. Todos estes produtos são permitidos em agricultura biológica.

Courretage – Cuidar das Cepas Antigas

Quando falamos de vinhas muito antigas, falamos inevitavelmente de cepas com lenho morto ou doente. Temos vindo a realizar o courretage sistemático das nossas videiras — a remoção desse lenho deteriorado — com o objectivo de eliminar as condições que favorecem o desenvolvimento de fungos saprófitas e ninhos de térmitas. O propósito é claro: retirar os factores de degradação, atrasar o declínio da planta e reduzir a sua mortalidade. Em simultâneo, estimulamos a formação de novo lenho, aumentando os fluxos de seiva e melhorando o vigor e a produtividade.

Para preservar o perfil único destes vinhos, é fundamental manter as cepas velhas vivas. Quando há mortalidade — e há sempre alguma —, substituímos as videiras com cuidado: usamos porta-enxertos antigos do Douro, enxertados com varas provenientes das próprias vinhas, mantendo assim as mesmas características genéticas. O vinho de amanhã começa na videira de hoje.

Os Pilares

Pilar I - Raízes com Memória

As nossas vinhas mais velhas têm mais de cem anos.
Não são apenas a origem dos nossos melhores vinhos;
São reservas genéticas vivas, arquivos de biodiversidade que o Douro foi construindo ao longo de gerações.
Como membros da Old Vine Conference, acreditamos que preservar vinhas velhas é um acto de conservação agrícola, não apenas uma escolha vitivinícola.

Leia o nosso texto sobre vinhas velhas e a adesão à Old Vine Conference.

Pilar II - Solo Vivo

Desde 2024, desenvolvemos um ensaio de campo de três anos com a Universidade de Aveiro, o CESAM e a Entogreen , testando um fertilizante orgânico derivado de insectos nas nossas vinhas em Valença do Douro.
O frass; a matéria orgânica produzida pelas larvas da Hermetia illucens, alimentadas com bagaço de azeitona, devolve ao solo aquilo que a terra já conhece: matéria viva, activa, circular.
Os resultados preliminares mostram maior actividade enzimática, maior capacidade de retenção de água e crescente teor em matéria orgânica. A ciência começa aqui.
O destino são as vinhas centenárias da Vinha das Silvas.

Pilar III - Da Oliveira à Vinha

Junto à Vinha das Silvas, existe um olival certificado biologicamente.
Em 2025, produzimos o primeiro azeite biológico certificado da quinta — um marco que liga a terra em torno do nosso vinho mais icónico a uma prática ecológica formal.

Pilar IV - O Oceano no Douro

O projecto Ocean Aged nasceu de uma ideia simples e audaciosa: envelhecer Vinho do Porto a dez metros de profundidade no Atlântico.
Mas o que começou como inovação tornou-se algo mais: uma parceria com o Oceanário de Lisboa que trouxe educadores marinhos a São João da Pesqueira para ensinar as crianças do Douro interior sobre o oceano e a sua conservação.

O projecto não ficou pela primeira edição;
Neste momento encontra-se em curso um Crusted Port envelhecido no oceano, com lançamento previsto para 2027. Um produtor de Porto que usa o mar para envelhecer vinho,
e usa essa plataforma para aproximar o oceano das pessoas que se sentem longe dele, e lembrar que a responsabilidade de o preservar é de todos, num mundo que só funciona em círculo.

Pilar V - Água e Resiliência

O Douro é uma região semi-árida onde a seca de verão é uma realidade crescente. A gestão responsável da água não é uma opção, é uma necessidade, e uma responsabilidade.
As nossas vinhas velhas desenvolveram ao longo de décadas sistemas radiculares profundos que reduzem a dependência de rega. O coberto vegetal retém a humidade do solo.
E os resultados do ensaio da Universidade de Aveiro confirmam-no com dados: a capacidade de retenção de
água aumentou significativamente em todas as parcelas fertilizadas entre janeiro de 2024 e julho de 2025.
Cuidar do solo é também cuidar da água.

OS NOSSOS NÚMEROS

10 ha
Vinha Gerida
~30
Castas no Portfólio
3,97 ha
Vinhas com Práticas
de Viticultura Regenerativa
2023
Membros
Old Vine Conference
3
Vinhas Registadas no
Old Vine Registry
Não é uma certificação. É uma convicção. E é o fio que liga tudo o que fazemos.

METAS

  • 2027: Publicar os resultados do ensaio com a UA e a Entogreen
  • 2030: Certificação formal das nossas práticas de viticultura e sustentabilidade
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