“Francamente, acho que é uma bomba.”
— Cristiano van Zeller
É uma expressão ousada, admito. Mas há momentos em que a honestidade tem de prevalecer sobre a contenção. Porque este Van Zellers & Co Vintage Port 2024 apresenta uma dimensão, uma pureza e uma precisão que muito raramente se encontram.
O que está no copo
Profundo, preciso e intensamente contido, afirma-se desde o primeiro momento como um vinho de dimensão excepcional. A cor, púrpura-negra, quase impenetrável, revela a monumental concentração que define os grandes Vintage clássicos.
No nariz, encontro aquilo que sempre procurei nos melhores Portos do Douro: fruta negra cristalina, esteva, frescura aromática, profundidade e identidade. Cassis, cereja preta, ameixa madura e amora silvestre surgem com uma definição impressionante, envolvidas por notas de rosmaninho, lavanda, violeta, especiaria
fina, grafite e nuances balsâmicas.
Na boca, é tudo aquilo que um grande Vintage deve ser: potente, mas disciplinado; concentrado, mas elegante; musculado, mas preciso. Os taninos são profundos, densos e perfeitamente integrados. A acidez natural oferece direção, energia e longevidade. Há força, mas sobretudo há equilíbrio.
E é esse equilíbrio que distingue os grandes vinhos dos vinhos verdadeiramente históricos.
Uma declaração para a história
Ao longo da minha vida, tive o privilégio de provar alguns dos maiores Vintage Ports alguma vez feitos. Vinhos que marcaram gerações, que ajudaram a definir regiões, famílias e momentos irrepetíveis. É cedo para falar do lugar definitivo de 2024 nessa história.
Mas posso dizer isto com total convicção: estamos perante uma das grandes declarações desta nova geração do Douro. Um Vintage clássico na sua estrutura, contemporâneo na sua definição, e construído para sobreviver — e emocionar — durante muitas décadas.
Natureza engarrafada
Na Van Zellers & Co, acreditamos que o Vinho do Porto não é apenas vinho. É memória. É cultura. É família. É natureza engarrafada.
Com apenas 2.000 garrafas produzidas, este Vintage 2024 representa não apenas um vinho raro, mas uma afirmação daquilo em que sempre acreditei: que o Douro continua capaz de produzir alguns dos maiores vinhos fortificados do mundo quando natureza, conhecimento e coragem se alinham.
O 2024 junta-se a 2011 e 2017 como um dos grandes clássicos deste século. Um dos grandes anos do milénio.
Depois de tantos anos no Douro, continuo a sentir o mesmo que senti desde o primeiro aroma de Vinho do Porto na infância:
O Douro nunca deixa de surpreender. E em 2024, voltou a fazê-lo.




