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O que torna os vinhos brancos frescos não é só a temperatura

A verdadeira base da frescura: acidez

A acidez é o principal pilar da frescura.

Um vinho branco com elevada acidez natural – como um Arinto ou Riesling – transmite sensação de leveza, vibrante e impressionante no palato. A acidez equilibra o álcool e o corpo, contribuindo para um final limpo e persistente.
Como refere Matt Kramer, a estrutura do vinho — e não apenas a temperatura — é o que mantém o vinho vivo:
“Structure can refer to acidity, sugar, alcohol… each are preservatives that ward off oxidation and decay.”
Um vinho com estrutura desequilibrada, mesmo gelado, pode parecer “mole” ou sem vida.

Terroir, castas e vinificação


A frescura também nasce na vinha.
Climas mais frescos, altitudes elevadas e solos pobres ou graníticos favorecem vinhos brancos mais vibrantes e minerais.
O crítico Jamie Goode descreveu um branco do Languedoc como “rich and fresh at the same time.” destacando que a riqueza e a frescura podem coexistir, se o vinho for feito com uvas sãs provenientes de castas apropriadas.
A escolha da casta é determinante:
• Arinto, Loureiro ou Rabigato trazem acidez natural.

• Chardonnay ou Antão Vaz precisam de vinificação cuidadosa para manterem frescura.
Métodos como:
• prensagem suave,
• fermentação a baixa temperatura,
• ausência de bâtonnage, ou
• uso moderado (ou nulo) de madeira

são ferramentas que o enólogo usa para preservar o carácter vibrante e leve de um vinho que é rico e fresco ao mesmo tempo.

A sabedoria de quem conhece o Douro como ninguém

No Douro, a frescura nem sempre é fácil de encontrar — mas podemos encontrá-la naturalmente nas vinhas certas.
Como explica Cristiano van Zeller:

“A verdadeira frescura dos nossos vinhos brancos nasce da altitude e da idade das vinhas. As raízes profundas destas vinhas centenárias ajudam a manter a acidez natural, mesmo em anos mais quentes. É a natureza a fazer o seu trabalho — e nós apenas a respeitá-la.”


É precisamente esta filosofia que dá origem a vinhos como o CV Branco e o VZ Branco. Produzidos a partir de vinhas muito velhas são brancos que aliam mineralidade e longevidade — com frescura sentida no palato e não apenas na temperatura da garrafa.

João Paulo Martins: os brancos certos para o verão

O crítico português João Paulo Martins destaca frequentemente vinhos brancos frescos como ideais para o verão, não por serem servidos gelados, mas por terem:

• acidez marcante,

• perfis varietais vibrantes (como o Alvarinho e Loureiro),
• e moderação alcoólica.

Então o que é “frescura” num vinho branco?


Podemos pensar nela como a soma de:
• Acidez elevada

• Aromas cítricos ou florais
• Corpo leve ou médio
• Baixo teor alcoólico (idealmente abaixo dos 13%)
• Final seco e mineral
Temperatura baixa ajuda, sim. Mas é o vinho em si que precisa de ter frescura intrínseca.

Conclusão: mais do que um copo fresco, um vinho vivo

Da próxima vez que servir um branco, pense: será que o que estou a saborear vem só do frio do frigorífico? Ou será que este vinho foi pensado para vibrar, mesmo a 10 °C?
Como dizia Jancis Robinson, não devemos anestesiar o vinho com gelo. A verdadeira frescura nasce da acidez, do terroir e da mão do enólogo — e prolonga-se no prazer de cada gole.

Conheça os Guardiões  da Vinha CV!

Novos Habitantes: Mais Patas no Terreno!


Quando pensávamos que a nossa pequena família de ovelhas estava completa, demos as boas-vindas a novos residentes a 25 de fevereiro—duas ovelhas adultas e duas pequenas! O nosso rebanho está a crescer e, com mais bocas a pastar, a vinha e o olival estão a receber ainda mais nutrientes. Ver estes animais tornarem-se parte integrante da paisagem tem sido uma experiência incrivelmente gratificante. Não se trata apenas dos seus benefícios práticos—é sobre abraçar os ritmos da natureza e criar uma vinha saudável e equilibrada, onde a biodiversidade floresce.

Por Que Ovelhas? Um Passo Rumo a um Futuro Regenerativo
Trazer ovelhas para a vinha não é apenas uma ideia simpática—é parte do nosso compromisso a longo prazo com a sustentabilidade. A viticultura regenerativa foca-se em restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e reduzir o nosso impacto ambiental. Eis porque as nossas trabalhadoras felpudas são a escolha perfeita:

  • Adeus, Cortadores de Relva – Em vez de usarmos máquinas movidas a combustível para controlar a vegetação, as nossas ovelhas fazem o trabalho naturalmente, reduzindo emissões de carbono.
  • Fertilizante Vivo – Os seus excrementos são ricos em nutrientes, enriquecendo o solo e promovendo vinhas mais saudáveis.
  • Proteção do Solo – Ao perturbar levemente a camada superficial do solo, melhoram a sua aeração e absorção de água, reduzindo a erosão.
  • Impulsionadoras da Biodiversidade – Mais presença animal significa mais insetos benéficos, micróbios e maior resiliência da vinha.

O Futuro: Mais Ovelhas, Mais Crescimento?
Com os nossos mais recentes habitantes já adaptados, já estamos a sonhar com a possibilidade de expandir o rebanho. Quem sabe se mais cordeirinhos nascerão na vinha, reforçando a nossa ligação a esta abordagem natural? Uma coisa é certa—as ovelhas não são apenas visitantes; elas agora fazem parte da família Van Zellers & Co.
Por isso, da próxima vez que abrir uma garrafa de CV Curriculum Vitae, saiba que vem de uma vinha onde a natureza dita o ritmo—onde trabalhadores felpudos, vinhas antigas e práticas regenerativas se unem para criar vinhos cheios de vida e alma.
Quer conhecer as nossas ovelhas? Fique atento—poderemos ter visitas à vinha planeadas para que possa dizer olá a estes adoráveis guardiões naturais!


Brindemos à natureza, ao grande vinho e ao nosso rebanho cada vez maior!

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Vindima 2024: Uma Aventura Familiar 
no Douro

Clima: A natureza a desafiar-nos (como sempre)

O ano começou com um inverno quente e chuvoso – o tipo de condições que faz a vinha sorrir e crescer saudável. Em março, tivemos um dilúvio que nos deu algumas dores de cabeça, mas abril tratou de aquecer as coisas e nos deu aquela dose de otimismo para o resto do ciclo. O verão foi marcado pelo calor e pela secura típica do Douro, mas setembro trouxe temperaturas mais amenas, dando às uvas o tempo que precisavam para atingir o equilíbrio perfeito.

Trabalho, risadas e conquistas

A vindima é sempre um momento intenso, mas também repleto de camaradagem e celebração. Este ano, enfrentámos pequenos desafios – pragas como a traça-da-uva e cochonilhas deram um ar da sua graça –, mas nada que a nossa equipa não soubesse lidar com maestria. Afinal, na Van Zellers & Co, sabemos que cada desafio é uma oportunidade para aprender e melhorar.

Resultado: Vinhos que contam histórias

Com uvas em excelente estado fitossanitário e uma produção acima da média, a vindima de 2024 já promete vinhos que serão memoráveis. Cada cacho colhido é mais uma peça de um quebra-cabeça que resulta em vinhos autênticos, com a alma do Douro e a assinatura da nossa equipa.
A vindima deste ano foi especial – não apenas pelo que colhemos, mas pelo que vivemos juntos. É assim que a Van Zellers & Co continua a transformar trabalho em legado, sempre com um toque de paixão, humor e, claro, um copo de vinho à mão para celebrar

EXPLORE OS NOSSOS VINHOS

A Perfeita Harmonização com um Tawny Port

RECEITA DE ALMENDRADOS

INGREDIENTES

  • 4 claras de ovo
  • 250g de amêndoas moídas
  • 200g de açúcar mascavado
  • 2 colheres de sopa de farinha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 colher de chá de canela
  • Papel de arroz
  • 1 pitada de sal
  • Amêndoas inteiras (para decorar)

Instruções

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC.
  2. Adicione uma pitada de sal às claras e bata até ficarem em ponto de neve.
  3. Adicione gradualmente a farinha, o açúcar e a canela à mistura até ficar homogénea.
  4. Envolva as amêndoas moídas com uma espátula até estar bem misturado.
  5. Forre um tabuleiro com papel vegetal e coloque o papel de arroz por cima.
  6. Use uma colher de sobremesa para formar bolas de massa no tabuleiro, deixando espaço entre elas para crescerem.
  7. Coloque uma amêndoa inteira sobre cada biscoito, pressionando levemente.
  8. Asse por cerca de 20 minutos ou até dourar.
  9. Deixe arrefecer e recorte as bordas do papel de arroz, se necessário.

Sirva estes biscoitos com um copo do nosso Tawny Port e desfrute de cada camada deliciosa à medida que se desdobra em harmonia com o vinho.

O círculo da Vida

Fizemos parte de uma revolução silenciosa e de um regresso às raízes – de facto, a produção de vinho do Douro esteve durante séculos centrada na produção de tintos – o Vinho do Porto foi um acidente da Natureza e um dos primeiros produtos de marketing no mundo do vinho. O mercado estava a pedir este vinho naturalmente doce…

E agora estou de volta ao meu início depois de vender a Quinta Vale D. Maria em 2017 – a Van Zellers & Co é principalmente uma empresa de vinho do Porto focada na produção de Portos de alta qualidade. Também temos vinhos tintos e brancos Douro Doc de alta qualidade, Cv-Curriculum Vitae e VZ-Van Zellers & Co, mas a minha principal paixão

E, é sempre o tempo, algo escasso que parece imenso quando se começa o círculo da vida que tem o papel principal. Mas um bom vinho faz sempre a diferença!
 

Mudança de maré

À porta de um restaurante, uma mulher atirava lulas para as brasas com uma ferocidade impressionante, fazendo uma careta ao calor cintilante.
Puxei uma cadeira de plástico, pedi sardinhas, que chegaram grelhadas com rodelas de limão, uma salada de tomate suculentos e maduros e batatas cozidas a nadar em manteiga de alho. E o vinho, menina? Sim, que boa ideia. A garrafa de vinho verde, muito fresco e crepitante, cortou o efeito da pele do peixe cor de carvão e com crostas de sal. Virei a cara para o céu, azul como um azulejo, e, pela primeira vez em dias, sorri. Tudo ia ficar bem.

Porque se eu conseguisse ficar contente ali, naquele momento, então a felicidade poderia acontecer outra vez, outra vez e outra vez.

Quinze meses depois, voltei a voar de Londres para Lisboa. Só que, desta vez, acompanhada por uma amiga querida e com um objetivo muito diferente: desfrutar.
Eis o que me lembro. Transportar copos do espumante da Bairrada, cor de salmão, de João Pato, para a Praça das Flores ao anoitecer, enquanto um saxofonista tocava junto ao chafariz e todos se observam mutuamente circulando naquele dia de ar quente e abafado.  Escolhemos vinhos, sem pudor, pela peculiaridade dos seus rótulos – talvez um javali (Crazy Javali) ou uma caveira e ossos cruzados (Pirata da viúva) ou uma freira (Il Ceo). E, como londrinas, ficámos surpreendidas com o facto de os bares de vinho portugueses nos deixarem provar quatro ou cinco variedades diferentes antes de escolhermos a que queríamos – que hospitalidade!

Dirijo-me a uma marisqueira em Famalicão, Nazaré para provar os percebes pela primeira vez.
Produto de uma apanha perigosa (os pescadores escalam penhascos íngremes com cordas para chegar aos percebes), a sua aparência é parte garra de dinossauro, parte perna de elefante. Os meus companheiros – um grupo heterogéneo composto por um ator, um viticultor e um designer – demonstram como se arranca a parte superior da concha e se retiram as lascas de carne semelhantes a amêijoas. Apesar de ser desagradável ao olhar, o sabor e o cheiro é a mar. Abre-se uma garrafa de Van Zellers & Co VZ Douro Branco 2017. As travessas de ostras e mexilhões não param de chegar. O nome, dizem-me, pronuncia-se per-se-besh, que também significa “Ele/ela compreende”. Bem, eu estava a começar a perceber.

Jantar debaixo dos limoeiros do Paço da Glória, uma casa senhorial no Minho. A cera a acumular-se à volta das velas e as garrafas de vinho vazias a estampar formas arredondadas cor-de-rosa na toalha de linho, enquanto eu falava com um grupo de estranhos sobre o luto – Não é que ele surge em momentos tão estranhos e inesperados? E não é sombrio quando se tinha uma relação difícil com a pessoa que faleceu? É uma alegria poder dizer coisas que a minha própria família, limitada pela famosa reserva britânica, não aceitaria à mesa de jantar.

Mergulhar no porto de Sines para explorar a adega subaquática da Ecoalga. Pequenas criaturas marinhas deixaram as suas rendas sobre as garrafas. Aparentemente, os vinhos envelhecem mais depressa aqui em baixo do que em terra firme, suavemente embalados pela corrente nas profundezas frias e escuras. Uma frase vem-me à cabeça: mudança de maré . A primeira menção registada é na “A Tempestade”, de Shakespeare, (tradução livre) “Nada do que se desvanece, mas sofre uma mudança de maré, em algo rico e estranho.” A Canção de Ariel é sobre um rei que se afoga, mas a expressão passou a significar uma mudança provocada pelo mar, ou mais amplamente, uma transformação profunda ou notável de qualquer tipo. De volta à superfície, balançando nas ondas verde-acinzentadas, estico bem os dedos, já não me agarro a coisas quebradas como uma alma náufraga. Há algum alívio, afinal, em libertar-se, em estar à deriva, sozinho. Coisas preciosas foram arrancadas das minhas mãos; deixo-as assentar no fundo do mar como um baú de tesouro.

Muitas das pessoas que conheci em Portugal tinham passado pelas suas próprias mudanças de maré. A advogada que se tornou numa queijeira premiada, Joana Garcia. Um ex-mergulhador que aprendeu a ser doula de fim de vida. Todas as mulheres que um dia decidiram mudar-se da África do Sul, da Austrália ou do Brasil para este canto da Europa – porque quiseram, porque puderam.
Claro que esses meses também tiveram pontos baixos. E não vou sentir falta de ser expulso da cama todas as manhãs pelo som de perfurações e pelo calor sufocante – sem dormir, com a cabeça a latejar, a garganta seca – porque o nosso apartamento no terceiro andar, apesar de todas as suas estantes de livros e azulejos antigos e da sua invejável localização no Príncipe Real, era uma verdadeira fornalha e dava para um estaleiro de obras.
Mas, acima de tudo, aquele verão foi uma série de momentos dourados e de vidro. Tomei o meu remédio – o riso, a luz do sol, o vinho – e senti-me mais corajosa do que antes.

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História líquida em garrafa

Cada garrafa desta irrepetível coleção conta uma história, refletindo um momento da História que há muito passou.. 



Esta coleção inclui:

Crafted by Liberty


Celebra o ano em que Abraham Lincoln foi eleito o 16º presidente dos Estados Unidos, em 1860

Crafted by Family


Assinala o casamento dos trisavós de Cristiano em 1870

Crafted by Poetry


Comemora o nascimento do ilustre poeta Fernando Pessoa em 1888.

Foi a Liberdade que nos permitiu escolher estes vinhos.

Foi a Família que nos permitiu cuidar deles.
Foi a Poesia que agora os partilhamos.

Para complementar a experiência do século XIX, colaborámos com a Vista Alegre Atlantis, fundada em 1824, reconhecida pela qualidade superior do cristal e da porcelana. O “decanter” soprado à mão, concebido exclusivamente para a coleção Van Zellers & Co XIX The Rare Port Collection, complementa o conjunto de forma magnífica.

A coleção inclui três gargantilhas de prata da Leitão & Irmão, joalheiros oficiais da coroa portuguesa desde o século XIX. Estas gargantilhas adornam o” decanter” de cristal e distinguem cada vinho, guardando o segredo por detrás da história de cada Porto Very, Very Old Tawny.

Ben Howkins e o homem por detrás do vinho

Ben Howkins

Já alguma vez se perguntou que tipo de pessoas terão criado o vinho que neste momento tem  no seu copo? Será que era uma pessoa bonita e perfumada? Ou era robusto e generoso?  Seriam marido e mulher?

O mesmo se passa com os chefes de cozinha. Um chefe magro oferecerá provavelmente iguarias mais elaboradas para comensais mais sérios e exigentes ; um chefe mais roliço e sorridente  fará comida para gentes que valorizam mais a saciedade e a abundância.

O que é maravilhoso nos vinhos produzidos por famílias, e não por empresas, é que parece haver de facto uma relação entre o criador e o seu vinho.

O exemplo clássico é o de Bordéus, onde as duas magníficas propriedades Rothschild, o Chateau Lafite e o Chateau Mouton Rothschild, embora estejam localizadas apenas a alguns metros de distância, têm dois estilos completamente diferentes. O primeiro tem um equilíbrio perfeito, uma elegância extrema e pode ser considerado a referência do melhor vinho de Bordeus. O equilíbrio perfeito e a extrema elegância poderiam muito bem descrever o Barão Eric de Rothschild, que foi o membro da família responsável por esta propriedade durante quarenta anos. Eric personifica absolutamente Lafite, como estou certo de que a sua encantadora filha, Saskia, o fará nos próximos anos.

A proprietaria  do Chateau Mouton Rothschild, nessa mesma época,  era a ex-atriz e extrovertida Baronesa Philippine de Rothschild. Philippine vivia a vida a todo o vapor.  E já adivinhou ? Os vinhos de Mouton são claramente mais extrovertidos e fulgurantes.

No final do século passado e no início da explosão dos cabernets de Napa valley na California os vinhos tinham um elevado teor alcoólico e todos nos perguntámos porquê. Sabíamos que Robert Parker gostava deste tipo de vinhos  mas era uma situação que nos fazia pensar “ apareceu primeiro a galinha ou o ovo?”. Será que os produtores se curvaram aos pontos de Parker ou será que Parker encorajou esta caraterística entre a nova fraternidade de proprietários de vinhas da California?



Um perspicaz Relações Públicas de Napa deu-me razão. Este novo grupo de proprietários de vinhas de topo de Napa tinha, na sua maioria, ganho dinheiro vendendo as suas empresas de informática/construção para financiar o seu sonho de ter uma vinha. Para além de desfrutarem de um clima quente e agradável, também gostavam de martinis fortes, whiskies e gins de luxo. O elevado grau alcoólico significava mais qualidade.

O mesmo acontecia com os seus vinhos. Queriam que os seus vinhos ultrapassassem a barreira dos 14,5% ou mais. Uma aspiração nobre, mas não para mim. E, os valores normais estão agora a ser retomados.

No Vale do Douro, no Norte de Portugal, o majestosa berço do vinho do Porto,   teve durante séculos múltiplas personalidades  que foram moldando o comércio e o estilo dos vinhos de que mais gostavam.


Os exemplos clássicos mais recentes incluem, sem dúvida, o proprietário da Taylor’s, o elegante ex-membro da Guarda Escocesa,  Alistair Robertson. O vinho do Porto vintage da Taylor’s é conhecido por ter “espinha dorsal” (espinha dorsal de ramrod?) e é de facto elegante, duradouro e generoso.


Em contraste, o porto Fonseca, também parte do universo Taylor é certamente moldado à imagem do seu lendário produtor, Bruce Guimaraens. O vinho do Porto  Fonseca é robusto, vigoroso, com intenso aroma de fruta, uma alegria que nos envolve  e um  porto forte e valente – ou será esta a descrição da perosnalidade de Bruce? David, o filho de Bruce, continua alegremente a tradição familiar, ao mesmo tempo que acresenta nos vinhos notas pessoais.


Durante muitos anos, o vinho do Porto Croft, empresa onde trabalhei, era propriedade de Robin Reid, cuja mulher Elsa e as suas três filhas davam um certo equilíbrio feminino aos procedimentos. A Croft tem, de facto, notas mais florais na sua composição.

Cristiano van Zeller, atual guardião da dinastia van Zeller, tem o ar de um aristocrata, com a sua figura cheia e a sua bela barba. Poderia estar igualmente à vontade no seu castelo ou no seu clube. O seu mais recente lançamento de três Colheitas do século XIX, de 1888, 1870 e 1860, parece ser a escolha perfeita.


Imagine como seria a vida durante esses anos  num clube de cavalheiros de St James’s Street.  Duques a chegarem das suas propriedades no campo; Lordes a tomarem uma bebida depois de terminar a sessão do Parlamento e homens de negócios a chegarem da City de Londres  conduzidos nas suas carruagens. Jantares onde são servidas grandes quantidades de vinho do Porto e jogos de azar que elevando os níveis de adrenalina  mantinham estes convivas acordados até de madrugada. A conversa e as apostas fluíam em igual medida. Foi neste mundo que nasceram estes vintages. Apreciá-los hoje é, de facto, um prazer único que nos deixa boquiabertos.

O meu último livro “Adventures in the Wine Trade – Diary of a Vintners Scholar”, recentemente publicado pela Academie du Vin, descreve a minha primeira visita ao Vale do Douro nesse célebre ano de 1963 ano de um do mais afamados Vinhos do Porto Vintage do seculo passado. Há algo de mágico, algo de interminável e algo que vai diretamente ao coração quando se prova e aprecia estes vinhos que são fonte de enorme prazer.

Há também um sentido de humor, um sentido de camaradagem que acompanha este que é o mais inglês dos vinhos não ingleses, saiba mais aqui.

Photographer – Carolina Pimenta for The Last Drop

Reflexões sobre Old Vines e a alegria de se tornar membro da Old Vines Conference

Mas então o que é isto de Vinhas Velhas?

Segundo a The Old Vine Conference, “as vinhas velhas são um farol para o talento, a inovação e as relações. As melhores vinhas velhas produzem vinhos únicos e transcendentes, incomparavelmente ricos em sabor, simbolismo e património. O material genético das castas antigas, muitas vezes recuperado de vinhas velhas, está a revelar-se vital para a adaptação às alterações climáticas.” Como eu e o meu pai tendemos a concordar, decidi gravar uma conversa entre nós.

CRISTIANO E FRANCISCA VAN ZELLER DECIDEM TER UMA CONVERSA ENTRE ELES

[Francisca] Pai, quando é que percebeu que as vinhas velhas fazem a diferença na qualidade dos vinhos?

[Cristiano] Logo que comecei a fazer vinhos nos anos 80, percebi que tipos de vinhos do Porto seriam produzidos a partir de vinhas novas ou de vinhas mais velhas. Também comecei a experimentar produzir vinhos DOC Douro entre 1985 e o início dos anos 90 na Quinta do Noval, e a partir de 1994 produzi vinhos na Quinta do Crasto, Quinta do Vallado e Quinta Vale D. Maria a partir de vinhas velhas.

Na Quinta do Noval, só tínhamos vinhas velhas e as uvas que comprávamos vinham de vinhas mais novas. A diferença de qualidade era evidente e os vinhos variavam em termos de complexidade. As primeiras vinhas dos patamares modernos da Quinta do Noval foram plantadas nos anos 70 e 80.

Nos anos 80, as vinhas começaram a ser plantadas por castas e acreditou-se que este era o melhor caminho para a região. No entanto, a vantagem crucial do Douro é a mistura de castas na vinha designado por field blend. Atualmente, planta-se de forma menos aleatória do que no início do século XX. Atualmente decidimos as castas que serão plantadas em determinadas encostas e qual a percentagem de cada casta a plantar, mas preservamos a mistura e a alta densidade da antiga forma de plantar.

[Francisca] O que é que acha que é tão importante nas vinhas velhas?

[Cristiano] As vinhas velhas têm uma capacidade magnífica de resistir às alterações climáticas, o que tem sido comprovado ao longo dos tempos. Estou a referir-me às vinhas plantadas antes de 1975, onde a mistura de diferentes castas era uma das características fundamentais. É esta mistura de castas que confere aos vinhos uma complexidade espantosa. Há uma maturação mais homogénea das uvas quando estas são misturadas na vinha. Por conseguinte, podemos colher todas as variedades em conjunto. Isto permite que os vinhos tenham camadas e aromas adicionais, o que não seria possível se misturássemos a mesma quantidade de castas após a fermentação. As vinhas velhas do Douro caracterizam-se por esta diversidade e mistura de castas, pela baixa produtividade de cada videira devido à sua idade, e, portanto, pela concentração acrescida que influencia diretamente, de forma positiva, a qualidade do vinho ao longo das diferentes fases de produção e envelhecimento.

[Francisca] Qual tem sido o seu maior desafio ao trabalhar com vinhas velhas?

[Cristiano] Mantê-las vivas e manter a diversidade; assegurar que, quando replantamos, mantemos a diversidade que existia originalmente na vinha; garantir que têm uma vida longa e saudável; o trabalho manual que é necessário para a sua preservação. As vinhas velhas encontram-se em plantações de alta densidade, por isso, fazer trabalhos nestas vinhas é um desafio e que só pode ser feito pela mão do Homem.

[Francisca] Já afirmou que algumas das melhores colheitas do século XX foram produzidas com vinhas jovens e não com vinhas com mais de 40 anos. A vinha que plantou em 2004 também começou a produzir um dos vinhos mais aclamados do Douro em 2016. Então, a idade é o principal fator de qualidade?

[Cristiano] A idade é um dos fatores, não o principal. Quando a vinha é, no seu conjunto, de qualidade, ou seja, o solo onde está plantada, a densidade de plantação, o cuidado que foi dado às plantas, as castas que se encontram naquela parcela, a idade funciona como um potenciador da qualidade.

[Francisca] Quando se decide preservar as vinhas velhas, a sustentabilidade é um fator importante na decisão ou é uma preocupação económica e de qualidade?

[Cristiano] Eu diria que a resposta é ambas. As vinhas velhas do Douro têm uma biodiversidade imensa. Se as mantivermos, estamos a preservar a biodiversidade. A regeneração do solo onde as vinhas estão plantadas é fundamental para podermos preservar as vinhas e o ecossistema que as rodeia. Desta forma, podemos preservar as vinhas velhas, pelo que a manutenção destas vinhas, que garantem a elevada qualidade dos nossos vinhos, exige sustentabilidade, ou seja, práticas que possam sustentar a natureza, o meio natural e o ecossistema onde estas vinhas sobrevivem. Um não existe sem o outro: A sustentabilidade garante a existência das vinhas velhas e as vinhas velhas são a prova de que a sustentabilidade existe.

[Francisca] Vamos supor que vamos começar de novo. Está a iniciar um novo projeto. Encontra uma vinha com 100 anos chamada Silvas, que sabemos que hoje produz CV, mas que ainda não produziu nenhum vinho. Só pode fazer um vinho com ela. Fazia um Douro DOC tinto ou um Porto Vintage? E porquê?

[Cristiano] Essa é uma boa pergunta, mas teria de dizer ambos. Usaria metade das uvas que a vinha produz para criar um Douro DOC tinto e metade para produzir um vinho do Porto e tentaria fazer um Porto Vintage. Aliás, foi isso que sempre fiz nos projetos que iniciei na região do Douro. Continuo a acreditar que a magnificência e a beleza das vinhas velhas do Douro é a sua capacidade de produzir grandes vinhos tintos e Portos com uma enorme capacidade de envelhecimento.

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