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Do Solo para Cima: A Nossa Parceria com a Universidade de Aveiro e a Entogreen

A Ciência por Detrás do Estudo

Em fevereiro de 2024, lançámos um ensaio de campo de três anos em parceria com o
Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, o CESAM e a EntoGreen, uma
empresa portuguesa especializada em biotecnologia de insetos BSF. O ensaio integra a
Agenda Mobilizadora InsectERA, um programa nacional financiado pela União
Europeia que explora o papel dos insetos na agricultura sustentável e na economia
circular.

O estudo está a ser conduzido numa parcela em Valença do Douro, situada a 400 metros
de altitude e plantada há mais de 40 anos. São vinhas velhas — não centenárias, mas
suficientemente maduras para expressarem a idade de vinha que realmente importa — e
escolhidas por uma razão prática: o relevo mais suave e o melhor acesso rodoviário tornam a medição científica rigorosa muito mais viável aqui do que em parcelas mais íngremes e remotas. A intenção é usar o que aprendermos em Valença do Douro e aplicá-lo mais a montante — na nossa vinha centenária Vinha das Silvas, nas encostas
de xisto sobre o Rio Torto. A ciência começa onde é mais fácil fazê-la bem. O objetivo final são sempre as vinhas mais velhas.

No centro do estudo está algo chamado frass, fertilizante organico de inseto. O frass é rico em matéria orgânica, resquisios de quitina advindos do próprio insetos e rica em nutriente. Este fertilizante orgânico é . produzido pela bioconversao das larvas de Hermetia illucens, a mosca soldado-negro, BSF. Estas larvas são extraordinários bioconversores: alimentadas com bagaço de azeitona (o resíduo sólido remanescente da produção de azeite), processam esse subproduto e deixam para trás um fertilizante rico em azoto, fósforo, matéria orgânica outros macro e micro nutrientes, quitina e uma diversidade de atividade microbiana.

A lógica circular desta história é importante para nós. O bagaço de azeitona que
alimenta as larvas vem da mesma paisagem agrícola que rodeia as nossas vinhas. O que
regressa ao solo não é um input sintético, mas sim um material vivo, biologicamente ativo — o subproduto de um subproduto, transformado em algo que alimenta as vinhas
mais antigas do Douro.

O Que Mostram os Resultados

O ensaio decorre até 2027 e somos deliberadamente cautelosos quanto a tirar conclusões antes dos resultados finais. Ainda assim, o relatório intercalar de janeiro de 2026 da Universidade de Aveiro contém conclusões que acreditamos valer a pena partilhar já.

Em todas as parcelas fertilizadas, os tratamentos orgânicos — incluindo o frass de inseto — estimularam atividade enzimática mensurável no solo. As enzimas são o motor da biologia do solo: decompõem matéria orgânica, libertam nutrientes e sustentam as comunidades microbianas que estão na base da saúde da videira. Ver esta atividade aumentar é um sinal significativo.

Talvez ainda mais relevante para a saúde de longo prazo destas vinhas: a capacidade de retenção de água do solo aumentou substancialmente face à medição de base feita em janeiro de 2024, comparativamente às medições registadas em julho de 2025. Numa região semiárida onde a seca estival se torna cada vez mais frequente e severa, a capacidade do solo reter humidade não é um detalhe menor — é uma questão de resiliência. O aumento da matéria orgânica, confirmado pelos dados de perda por ignição, demonstra que o solo está efetivamente a mudar.

Quanto às videiras: as medições fisiológicas mostram níveis saudáveis de clorofila e carotenoides em todas as parcelas, consistentes com plantas bem nutridas. Não foi identificado qualquer impacto negativo na saúde da vinha. Até ao momento, os indicadores biológicos são positivos.


Porque Vinhas Velhas, e Porque Agora
Há uma razão para este estudo começar em vinhas velhas e não em vinhas jovens. A parcela de 40 anos em Valença do Douro não é antiga — mas representa o que o Douro faz quando se deixa uma vinha amadurecer: sistemas radiculares profundos que exploram o xisto em profundidade, uma resiliência natural à seca e uma relação com o solo construída ao longo de décadas, não de estações. São estas qualidades que queremos compreender, proteger e reforçar.

A nossa preocupação final, contudo, são as vinhas verdadeiramente antigas — as centenárias da Vinha das Silvas, acima do Rio Torto, plantadas há mais de cem anos e portadoras de um património genético que a viticultura moderna em grande parte perdeu. Como membros da Old Vine Conference, uma organização global sem fins lucrativos dedicada ao reconhecimento e proteção de vinhas históricas, acreditamos que cuidar de vinhas velhas é uma forma de conservação agrícola.


O estudo do frass é a ciência que sustenta essa convicção: uma tentativa rigorosa de compreender o que estas vinhas necessitam do seu solo e como lho podemos proporcionar sem recorrer a soluções sintéticas. Começamos em Valença do Douro porque as condições permitem fazer a ciência corretamente. O que aprendermos ali, pretendemos levar para as Silvas.

Olhando em Frente
O ensaio continuará até 2027. Partilharemos as conclusões finais quando forem publicadas. Até lá, deixamos o nosso agradecimento à equipa da Universidade de Aveiro — em particular aos investigadores do Departamento de Biologia e do CESAM — e à Entogreen, pela parceria, rigor e disponibilidade para trazer a sua ciência para estas vinhas muito velhas.

O Douro sempre foi um lugar onde sobreviver exigiu engenho. As vinhas de Valença do Douro crescem aqui há mais de quarenta anos. As centenárias da Vinha das Silvas há mais de cem. A nossa intenção é dar a todas elas todas as vantagens possíveis para as décadas que se seguem.


O ensaio de campo da Universidade de Aveiro — “Avaliação do impacto do frass na produção e saúde das plantas e do solo em vinhas do Douro” — decorre entre fevereiro de 2024 e 2027. É conduzido em parceria com o Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, o CESAM e a EntoGreen, no âmbito da Agenda Mobilizadora InsectERA (financiada pela União Europeia).

Declarámos 2024


“Francamente, acho que é uma bomba.”
— Cristiano van Zeller

É uma expressão ousada, admito. Mas há momentos em que a honestidade tem de prevalecer sobre a contenção. Porque este Van Zellers & Co Vintage Port 2024 apresenta uma dimensão, uma pureza e uma precisão que muito raramente se encontram.

O que está no copo

Profundo, preciso e intensamente contido, afirma-se desde o primeiro momento como um vinho de dimensão excepcional. A cor, púrpura-negra, quase impenetrável, revela a monumental concentração que define os grandes Vintage clássicos.

No nariz, encontro aquilo que sempre procurei nos melhores Portos do Douro: fruta negra cristalina, esteva, frescura aromática, profundidade e identidade. Cassis, cereja preta, ameixa madura e amora silvestre surgem com uma definição impressionante, envolvidas por notas de rosmaninho, lavanda, violeta, especiaria
fina, grafite e nuances balsâmicas.

Na boca, é tudo aquilo que um grande Vintage deve ser: potente, mas disciplinado; concentrado, mas elegante; musculado, mas preciso. Os taninos são profundos, densos e perfeitamente integrados. A acidez natural oferece direção, energia e longevidade. Há força, mas sobretudo há equilíbrio.

E é esse equilíbrio que distingue os grandes vinhos dos vinhos verdadeiramente históricos.

Uma declaração para a história

Ao longo da minha vida, tive o privilégio de provar alguns dos maiores Vintage Ports alguma vez feitos. Vinhos que marcaram gerações, que ajudaram a definir regiões, famílias e momentos irrepetíveis. É cedo para falar do lugar definitivo de 2024 nessa história.

Mas posso dizer isto com total convicção: estamos perante uma das grandes declarações desta nova geração do Douro. Um Vintage clássico na sua estrutura, contemporâneo na sua definição, e construído para sobreviver — e emocionar — durante muitas décadas.




Natureza engarrafada

Na Van Zellers & Co, acreditamos que o Vinho do Porto não é apenas vinho. É memória. É cultura. É família. É natureza engarrafada.


Com apenas 2.000 garrafas produzidas, este Vintage 2024 representa não apenas um vinho raro, mas uma afirmação daquilo em que sempre acreditei: que o Douro continua capaz de produzir alguns dos maiores vinhos fortificados do mundo quando natureza, conhecimento e coragem se alinham.


O 2024 junta-se a 2011 e 2017 como um dos grandes clássicos deste século. Um dos grandes anos do milénio.

Depois de tantos anos no Douro, continuo a sentir o mesmo que senti desde o primeiro aroma de Vinho do Porto na infância:
O Douro nunca deixa de surpreender. E em 2024, voltou a fazê-lo.


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Conhece a kika — o rosé que veio para ficar



Fresca, direta, sem cerimónias. A kika rosé é o vinho que já fazia falta na tua vida.

Três vozes, uma ideia

Quem criou a kika explica melhor do que ninguém o que ela representa.

“Quando percebi que o vinho ia ter o meu nome, senti uma responsabilidade enorme — e depois percebi que não. Kika não é o meu nome. É o nome de muita gente. É o nome que usas com quem gostas mesmo.”
Francisca van Zeller · Criadora da kika

“Sempre quis fazer um rosé que não pedisse desculpa por existir. A kika tem estrutura, tem carácter — é um vinho do Douro que simplesmente escolheu ser leve. Não porque não consegue ser sério. Porque não precisa.”
Cristiano van Zeller · Produtor

“O desafio foi criar frescura sem perder identidade. A Touriga Francesa foi a nossa âncora — é ela que dá à kika aquela tensão elegante, aquele nervosismo que te mantém a voltar ao copo.”
Joana Pinhão · Enóloga


Os momentos kika

Não há momento errado para uma kika. Mas há momentos em que ela brilha mais:

  • Almoço longo no verão
  • Praia ou piscina
  • Sundowner no terraço
  • Começo de festa
  • Jantar descontraído
  • Festival ou concerto

A kika é o rosé do verão — mas também daquele serão de outubro em que ainda dá para estar lá fora. Serve bem fresca, entre os 8 e os 10 graus. Não hesites, não esperes — bebe.


As três personagens por detrás do vinho


A kika é a soma de três castas com personalidades muito distintas. Juntas, formam um grupo imbatível.

Touriga Nacional — a extrovertida
Entra na sala e toda a gente vira a cabeça. É ela que traz a explosão de frutos vermelhos e negros — framboesa, amora, cereja — e os aromas florais que te fazem fechar os olhos no primeiro gole.

Tinta Roriz — a que não te larga
Mais contida, mas com substância. Dá aquele grip — aquela textura leve que faz o vinho ter presença na boca e não escorregar sem deixar marca. A Tinta Roriz é a razão pela qual a kika fica na memória.

Touriga Francesa — o twist inesperado
Pouca quantidade, impacto enorme. É ela que traz a agitação — um frescor floral ligeiramente picante, aquela sassiness que transforma o vinho de bom em memorável. A Touriga Francesa é a surpresa no final.


Harmonizações para os verdadeiramente KOOL

Sim, a kika combina bem com um prego ou uma salada niçoise. Mas isso seria demasiado previsível para quem é genuinamente kool. Aqui vão as harmonizações que realmente importam:

  • Sushi de fusão — A acidez fresca da kika corta na perfeição a gordura do salmão. Uma combinação que os puristas não aprovam — e está tudo bem.
  • Tacos de peixe com molho picante — O rosé refresca, o picante aquece. Uma dialética que funciona melhor do que parece.
  • Pipocas de caramelo e sal — O doce, o salgado, o frutado — trio inesperado para uma noite de cinema em casa com estilo.
  • Queijo de cabra com mel e nozes — A frescura da kika equilibra o picante do queijo. A sobremesa da entrada que ninguém esperava.
  • Um bom hambúrguer — Porque rosé com hambúrguer é a disrupção que o mundo precisava. E funciona.

Preço & disponibilidade

PVPR 19,50 € | Temperatura 8–10 °C | Castas Touriga Nacional · Tinta Roriz · Touriga Francesa

A kika rosé está disponível agora. Para quem já está convencido — e duvidamos que não estejas — podes encontrá-la na nossa loja online e nos pontos de venda habituais.

Porque no fim do dia, a única regra que importa é esta:

Keep It Kool Always.

#kikawine · #KeepItKoolAlways · kika rosé

O que torna os vinhos brancos frescos não é só a temperatura

A verdadeira base da frescura: acidez

A acidez é o principal pilar da frescura.

Um vinho branco com elevada acidez natural – como um Arinto ou Riesling – transmite sensação de leveza, vibrante e impressionante no palato. A acidez equilibra o álcool e o corpo, contribuindo para um final limpo e persistente.
Como refere Matt Kramer, a estrutura do vinho — e não apenas a temperatura — é o que mantém o vinho vivo:
“Structure can refer to acidity, sugar, alcohol… each are preservatives that ward off oxidation and decay.”
Um vinho com estrutura desequilibrada, mesmo gelado, pode parecer “mole” ou sem vida.

Terroir, castas e vinificação


A frescura também nasce na vinha.
Climas mais frescos, altitudes elevadas e solos pobres ou graníticos favorecem vinhos brancos mais vibrantes e minerais.
O crítico Jamie Goode descreveu um branco do Languedoc como “rich and fresh at the same time.” destacando que a riqueza e a frescura podem coexistir, se o vinho for feito com uvas sãs provenientes de castas apropriadas.
A escolha da casta é determinante:
• Arinto, Loureiro ou Rabigato trazem acidez natural.

• Chardonnay ou Antão Vaz precisam de vinificação cuidadosa para manterem frescura.
Métodos como:
• prensagem suave,
• fermentação a baixa temperatura,
• ausência de bâtonnage, ou
• uso moderado (ou nulo) de madeira

são ferramentas que o enólogo usa para preservar o carácter vibrante e leve de um vinho que é rico e fresco ao mesmo tempo.

A sabedoria de quem conhece o Douro como ninguém

No Douro, a frescura nem sempre é fácil de encontrar — mas podemos encontrá-la naturalmente nas vinhas certas.
Como explica Cristiano van Zeller:

“A verdadeira frescura dos nossos vinhos brancos nasce da altitude e da idade das vinhas. As raízes profundas destas vinhas centenárias ajudam a manter a acidez natural, mesmo em anos mais quentes. É a natureza a fazer o seu trabalho — e nós apenas a respeitá-la.”


É precisamente esta filosofia que dá origem a vinhos como o CV Branco e o VZ Branco. Produzidos a partir de vinhas muito velhas são brancos que aliam mineralidade e longevidade — com frescura sentida no palato e não apenas na temperatura da garrafa.

João Paulo Martins: os brancos certos para o verão

O crítico português João Paulo Martins destaca frequentemente vinhos brancos frescos como ideais para o verão, não por serem servidos gelados, mas por terem:

• acidez marcante,

• perfis varietais vibrantes (como o Alvarinho e Loureiro),
• e moderação alcoólica.

Então o que é “frescura” num vinho branco?


Podemos pensar nela como a soma de:
• Acidez elevada

• Aromas cítricos ou florais
• Corpo leve ou médio
• Baixo teor alcoólico (idealmente abaixo dos 13%)
• Final seco e mineral
Temperatura baixa ajuda, sim. Mas é o vinho em si que precisa de ter frescura intrínseca.

Conclusão: mais do que um copo fresco, um vinho vivo

Da próxima vez que servir um branco, pense: será que o que estou a saborear vem só do frio do frigorífico? Ou será que este vinho foi pensado para vibrar, mesmo a 10 °C?
Como dizia Jancis Robinson, não devemos anestesiar o vinho com gelo. A verdadeira frescura nasce da acidez, do terroir e da mão do enólogo — e prolonga-se no prazer de cada gole.

Conheça os Guardiões  da Vinha CV!

Novos Habitantes: Mais Patas no Terreno!


Quando pensávamos que a nossa pequena família de ovelhas estava completa, demos as boas-vindas a novos residentes a 25 de fevereiro—duas ovelhas adultas e duas pequenas! O nosso rebanho está a crescer e, com mais bocas a pastar, a vinha e o olival estão a receber ainda mais nutrientes. Ver estes animais tornarem-se parte integrante da paisagem tem sido uma experiência incrivelmente gratificante. Não se trata apenas dos seus benefícios práticos—é sobre abraçar os ritmos da natureza e criar uma vinha saudável e equilibrada, onde a biodiversidade floresce.

Por Que Ovelhas? Um Passo Rumo a um Futuro Regenerativo
Trazer ovelhas para a vinha não é apenas uma ideia simpática—é parte do nosso compromisso a longo prazo com a sustentabilidade. A viticultura regenerativa foca-se em restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e reduzir o nosso impacto ambiental. Eis porque as nossas trabalhadoras felpudas são a escolha perfeita:

  • Adeus, Cortadores de Relva – Em vez de usarmos máquinas movidas a combustível para controlar a vegetação, as nossas ovelhas fazem o trabalho naturalmente, reduzindo emissões de carbono.
  • Fertilizante Vivo – Os seus excrementos são ricos em nutrientes, enriquecendo o solo e promovendo vinhas mais saudáveis.
  • Proteção do Solo – Ao perturbar levemente a camada superficial do solo, melhoram a sua aeração e absorção de água, reduzindo a erosão.
  • Impulsionadoras da Biodiversidade – Mais presença animal significa mais insetos benéficos, micróbios e maior resiliência da vinha.

O Futuro: Mais Ovelhas, Mais Crescimento?
Com os nossos mais recentes habitantes já adaptados, já estamos a sonhar com a possibilidade de expandir o rebanho. Quem sabe se mais cordeirinhos nascerão na vinha, reforçando a nossa ligação a esta abordagem natural? Uma coisa é certa—as ovelhas não são apenas visitantes; elas agora fazem parte da família Van Zellers & Co.
Por isso, da próxima vez que abrir uma garrafa de CV Curriculum Vitae, saiba que vem de uma vinha onde a natureza dita o ritmo—onde trabalhadores felpudos, vinhas antigas e práticas regenerativas se unem para criar vinhos cheios de vida e alma.
Quer conhecer as nossas ovelhas? Fique atento—poderemos ter visitas à vinha planeadas para que possa dizer olá a estes adoráveis guardiões naturais!


Brindemos à natureza, ao grande vinho e ao nosso rebanho cada vez maior!

Vindima 2024: Uma Aventura Familiar 
no Douro

Clima: A natureza a desafiar-nos (como sempre)

O ano começou com um inverno quente e chuvoso – o tipo de condições que faz a vinha sorrir e crescer saudável. Em março, tivemos um dilúvio que nos deu algumas dores de cabeça, mas abril tratou de aquecer as coisas e nos deu aquela dose de otimismo para o resto do ciclo. O verão foi marcado pelo calor e pela secura típica do Douro, mas setembro trouxe temperaturas mais amenas, dando às uvas o tempo que precisavam para atingir o equilíbrio perfeito.

Trabalho, risadas e conquistas

A vindima é sempre um momento intenso, mas também repleto de camaradagem e celebração. Este ano, enfrentámos pequenos desafios – pragas como a traça-da-uva e cochonilhas deram um ar da sua graça –, mas nada que a nossa equipa não soubesse lidar com maestria. Afinal, na Van Zellers & Co, sabemos que cada desafio é uma oportunidade para aprender e melhorar.

Resultado: Vinhos que contam histórias

Com uvas em excelente estado fitossanitário e uma produção acima da média, a vindima de 2024 já promete vinhos que serão memoráveis. Cada cacho colhido é mais uma peça de um quebra-cabeça que resulta em vinhos autênticos, com a alma do Douro e a assinatura da nossa equipa.
A vindima deste ano foi especial – não apenas pelo que colhemos, mas pelo que vivemos juntos. É assim que a Van Zellers & Co continua a transformar trabalho em legado, sempre com um toque de paixão, humor e, claro, um copo de vinho à mão para celebrar

EXPLORE OS NOSSOS VINHOS

A Perfeita Harmonização com um Tawny Port

RECEITA DE ALMENDRADOS

INGREDIENTES

  • 4 claras de ovo
  • 250g de amêndoas moídas
  • 200g de açúcar mascavado
  • 2 colheres de sopa de farinha
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 colher de chá de canela
  • Papel de arroz
  • 1 pitada de sal
  • Amêndoas inteiras (para decorar)

Instruções

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC.
  2. Adicione uma pitada de sal às claras e bata até ficarem em ponto de neve.
  3. Adicione gradualmente a farinha, o açúcar e a canela à mistura até ficar homogénea.
  4. Envolva as amêndoas moídas com uma espátula até estar bem misturado.
  5. Forre um tabuleiro com papel vegetal e coloque o papel de arroz por cima.
  6. Use uma colher de sobremesa para formar bolas de massa no tabuleiro, deixando espaço entre elas para crescerem.
  7. Coloque uma amêndoa inteira sobre cada biscoito, pressionando levemente.
  8. Asse por cerca de 20 minutos ou até dourar.
  9. Deixe arrefecer e recorte as bordas do papel de arroz, se necessário.

Sirva estes biscoitos com um copo do nosso Tawny Port e desfrute de cada camada deliciosa à medida que se desdobra em harmonia com o vinho.

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O círculo da Vida

Fizemos parte de uma revolução silenciosa e de um regresso às raízes – de facto, a produção de vinho do Douro esteve durante séculos centrada na produção de tintos – o Vinho do Porto foi um acidente da Natureza e um dos primeiros produtos de marketing no mundo do vinho. O mercado estava a pedir este vinho naturalmente doce…

E agora estou de volta ao meu início depois de vender a Quinta Vale D. Maria em 2017 – a Van Zellers & Co é principalmente uma empresa de vinho do Porto focada na produção de Portos de alta qualidade. Também temos vinhos tintos e brancos Douro Doc de alta qualidade, Cv-Curriculum Vitae e VZ-Van Zellers & Co, mas a minha principal paixão

E, é sempre o tempo, algo escasso que parece imenso quando se começa o círculo da vida que tem o papel principal. Mas um bom vinho faz sempre a diferença!
 

Mudança de maré

À porta de um restaurante, uma mulher atirava lulas para as brasas com uma ferocidade impressionante, fazendo uma careta ao calor cintilante.
Puxei uma cadeira de plástico, pedi sardinhas, que chegaram grelhadas com rodelas de limão, uma salada de tomate suculentos e maduros e batatas cozidas a nadar em manteiga de alho. E o vinho, menina? Sim, que boa ideia. A garrafa de vinho verde, muito fresco e crepitante, cortou o efeito da pele do peixe cor de carvão e com crostas de sal. Virei a cara para o céu, azul como um azulejo, e, pela primeira vez em dias, sorri. Tudo ia ficar bem.

Porque se eu conseguisse ficar contente ali, naquele momento, então a felicidade poderia acontecer outra vez, outra vez e outra vez.

Quinze meses depois, voltei a voar de Londres para Lisboa. Só que, desta vez, acompanhada por uma amiga querida e com um objetivo muito diferente: desfrutar.
Eis o que me lembro. Transportar copos do espumante da Bairrada, cor de salmão, de João Pato, para a Praça das Flores ao anoitecer, enquanto um saxofonista tocava junto ao chafariz e todos se observam mutuamente circulando naquele dia de ar quente e abafado.  Escolhemos vinhos, sem pudor, pela peculiaridade dos seus rótulos – talvez um javali (Crazy Javali) ou uma caveira e ossos cruzados (Pirata da viúva) ou uma freira (Il Ceo). E, como londrinas, ficámos surpreendidas com o facto de os bares de vinho portugueses nos deixarem provar quatro ou cinco variedades diferentes antes de escolhermos a que queríamos – que hospitalidade!

Dirijo-me a uma marisqueira em Famalicão, Nazaré para provar os percebes pela primeira vez.
Produto de uma apanha perigosa (os pescadores escalam penhascos íngremes com cordas para chegar aos percebes), a sua aparência é parte garra de dinossauro, parte perna de elefante. Os meus companheiros – um grupo heterogéneo composto por um ator, um viticultor e um designer – demonstram como se arranca a parte superior da concha e se retiram as lascas de carne semelhantes a amêijoas. Apesar de ser desagradável ao olhar, o sabor e o cheiro é a mar. Abre-se uma garrafa de Van Zellers & Co VZ Douro Branco 2017. As travessas de ostras e mexilhões não param de chegar. O nome, dizem-me, pronuncia-se per-se-besh, que também significa “Ele/ela compreende”. Bem, eu estava a começar a perceber.

Jantar debaixo dos limoeiros do Paço da Glória, uma casa senhorial no Minho. A cera a acumular-se à volta das velas e as garrafas de vinho vazias a estampar formas arredondadas cor-de-rosa na toalha de linho, enquanto eu falava com um grupo de estranhos sobre o luto – Não é que ele surge em momentos tão estranhos e inesperados? E não é sombrio quando se tinha uma relação difícil com a pessoa que faleceu? É uma alegria poder dizer coisas que a minha própria família, limitada pela famosa reserva britânica, não aceitaria à mesa de jantar.

Mergulhar no porto de Sines para explorar a adega subaquática da Ecoalga. Pequenas criaturas marinhas deixaram as suas rendas sobre as garrafas. Aparentemente, os vinhos envelhecem mais depressa aqui em baixo do que em terra firme, suavemente embalados pela corrente nas profundezas frias e escuras. Uma frase vem-me à cabeça: mudança de maré . A primeira menção registada é na “A Tempestade”, de Shakespeare, (tradução livre) “Nada do que se desvanece, mas sofre uma mudança de maré, em algo rico e estranho.” A Canção de Ariel é sobre um rei que se afoga, mas a expressão passou a significar uma mudança provocada pelo mar, ou mais amplamente, uma transformação profunda ou notável de qualquer tipo. De volta à superfície, balançando nas ondas verde-acinzentadas, estico bem os dedos, já não me agarro a coisas quebradas como uma alma náufraga. Há algum alívio, afinal, em libertar-se, em estar à deriva, sozinho. Coisas preciosas foram arrancadas das minhas mãos; deixo-as assentar no fundo do mar como um baú de tesouro.

Muitas das pessoas que conheci em Portugal tinham passado pelas suas próprias mudanças de maré. A advogada que se tornou numa queijeira premiada, Joana Garcia. Um ex-mergulhador que aprendeu a ser doula de fim de vida. Todas as mulheres que um dia decidiram mudar-se da África do Sul, da Austrália ou do Brasil para este canto da Europa – porque quiseram, porque puderam.
Claro que esses meses também tiveram pontos baixos. E não vou sentir falta de ser expulso da cama todas as manhãs pelo som de perfurações e pelo calor sufocante – sem dormir, com a cabeça a latejar, a garganta seca – porque o nosso apartamento no terceiro andar, apesar de todas as suas estantes de livros e azulejos antigos e da sua invejável localização no Príncipe Real, era uma verdadeira fornalha e dava para um estaleiro de obras.
Mas, acima de tudo, aquele verão foi uma série de momentos dourados e de vidro. Tomei o meu remédio – o riso, a luz do sol, o vinho – e senti-me mais corajosa do que antes.

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